Carlos Gonçalves nasce em 1938, em Beja no Alentejo português.

Com 13 anos de idade apaixona-se pela Guitarra Portuguesa e inicia a sua aprendizagem estimulado, principalmente, pela execução e perfeição de José Nunes.

Em 1957 quando se desloca para Lisboa, Carlos Gonçalves entra na vida artística mercê da sua destreza técnica que lhe permitiu, imediatamente, acompanhar grandes fadistas da época, tendo sido contratado para a "Adega da Anita" de onde passou, mais tarde para os "Os Lobos do Mar, na calçada de Carriche, acompanhando muitas das grandes figuras do Fado, entre as quais Alfredo Marceneiro, Filipe Pinto, Maria Teresa de Noronha. Lucília do Carmo, Argentina Santos, Fernando Maurício, Fernando Farinha, Fernanda Maria e Beatriz da Conceição.

Em 1968, Carlos Gonçalves inicia a sua colaboração com Amália Rodrigues, integrando o grupo de músicos dirigido por José Fontes Rocha, a quem veio a suceder, formando então conjunto com Sebastião Pinto Varela (guitarra portuguesa), Jorge Fernando (viola) e Joel Pina (viola-baixo).

Seguem-se os anos espantosos de composição musical dedicada a Amália, muitas vezes musicando a poesia escrita pela própria Amália Rodrigues. Aqui podemos destacar especialmente os álbuns "Lágrima" e "Gostava de ser quem era" em que essa colaboração ficou documentada para sempre.

São 31 anos de colaboração em gravações e em espectáculos ao vivo pelas melhores salas e televisões de todo o mundo até ao falecimento de Amália Rodrigues, em Outubro de 1999.

Carlos Gonçalves é hoje um executante exímio em solo ou em acompanhamento de cantores de fado, colaborando também com artistas internacionais em gravações da música portuguesa, mantendo a sua obra de compositor que inclui, neste momento um inédito dedicado á memória de Amália, sobre poesia de Tiago Torres da Silva: "Mar de Amália", de uma superior beleza calma e segura como o deve um tributo à grande cantora portuguesa.

A técnica e a sensibilidade artística e emocional de Carlos Gonçalves evidenciam-se nas "Guitarradas" peças dedicadas para a Guitarra Portuguesa especialmente no âmbito do fado, Aí, a Guitarra Portuguesa, nas mãos de Carlos Gonçalves, vibra com alegria a lamenta-se em tristeza, como só ele a sabe catalizar.

Os seus improvisos em Guitarra Portuguesa são uma demonstração dessa ligação que é requerida entre tocador e instrumento para expressar a emoção da alma humana como só um grande artísta pode conseguir da Guitarra Portuguesa.

Finalmente, e ao fim de muitos anos de pedidos dos seus amigos e admiradores, Carlos Gonçalves decide efectuar em estúdio a gravação de composições suas e de outros grandes compositores.

Carlos Gonçalves começa assim uma nova fase da sua extensa e brilhante carreira, agora em duas vertentes:

1º Como concertista de Guitarra Portuguesa, em recitais, festivais de guitarra portuguesa ou de música portuguesa em geral ou de música étnica a nível internacional.
2º Como director musical e intérprete do seu grupo de fado, dirigido para sessões de festivais e concertos de música de raiz tradicional.