A actual Guitarra Portuguesa, é uma evolução da antiga guitarra portuguesa, que, por sua vez é uma forma particular da cítara medieval.

É um instrumento que apresenta aspectos singulares identificadores: A sua forma periforme, o seu timbre, os seus elementos decorativos e constituintes que se integram dentro do artesanato português. Tem também uma técnica específica de tocar que lhe permite realçar a sonoridade e produzir também o seu inconfundível e inimitável lamento.

É um dos poucos instrumentos sobreviventes da antiga cítara medieval, sendo de notar que a sua sonoridade é também um resultado de aperfeiçoamentos já no século XX.

As suas características actuais são o resultado de uma longa colaboração entre construtores e executantes que permitiu o seu aperfeiçoamento até ao momento presente, diferenciando-se em dois modelos: Guitarra de Lisboa e Guitarra de Coimbra.

No fado e em geral, a Guitarra Portuguesa é acompanhada pela viola, nome antigo que sobrevive em Portugal e no Brasil, (neste caso como violão), da quase universalmente chamada guitarra.

É um instrumento muito emocional em que a simbiose do intérprete e da guitarra portuguesa é completa e, até certo ponto, em grandes artistas como Carlos Gonçalves alcança niveis insuspeitaveis.

É essa indescritível y suprema altitude de entrega que apreciamos em Carlos Gonçalves.

 

Carlos Gonçalves é um dos grandes executantes vivos de Guitarra Portuguesa e alia uma musicalidade própria, confirmada na sua extensa obra de autor, com uma técnica extremamente profunda de exploração do universo do som da Guitarra Portuguesa, sem concessões a modernismos de qualidade duvidosa.

A sua autenticidade é demonstrada pela sua permanente defesa das técnicas tradicionais, com uma contínua actividade de pedagogo da Guitarra Portuguesa essa confirmada pelo grande número de guitarristas de qualidade que tem formado.

Carlos Gonçalves é um seguidor dos grandes executantes de Guitarra Portuguesa que, no início do século XX formaram a "geração de ouro" da Guitarra Portuguesa, na sequência desse mago, artista e compositor ímpar que foi Armando Augusto Freire (1899-1946), mais conhecido por Armandinho. Do convívio com Armandinho nasceram os grandes nomes da geração de ouro: Jaime Santos, José Nunes, Francisco Carvalhinho, Raul Néry, Fontes Rocha.